cagada
«”Queremos latrinas!” exclamaram eles para estupefacção geral. “Temos que sair e ir fazer as nossas necessidades ao ar livre. As latrinas são para vocês, gente importante”»
-Mahatma Gandhi contando as dores dos intocáveis, Comissão de Saneamento de Rajkot, 1896
Sentar a privada pelas manhãs, abrir o jornal e acompanhar os fatos do dia anterior enquanto o corpo liberta-se com uma bela cagada, pode ser o começo escondido de um clássico comercial de margarina qualquer. Mas como todo cidadão de bem, tendemos a esconder nossos esgotos, sequer divulgando a necessidade de existencia deles.
Para a midia de massa grandes homens não defecam, e se acaso assim aparecerem, será em alguma situação cômica. Para o resto do mundoporém esta situação habita no mundo do drama.
José saiu de casa apressado para não perder o onibus expresso (que o permite chegar um pouco mais cedo no local de trabalho, evitando o atraso das outras opções de transporte publico local) sua pressa lhe custou o perigo de sair de casa sem dar sua barrigada cotidiana.
o tramular da viagem, o calor, o stress ja de inicio de dia, barulho, fumaça, cheiro da cidade, e a dor começa, a fisgada fina parece que vai sair , mas joão heroicamente segura e evita o pior.
duas horas e meia de viagem… e a luta interna de joaquim contra a natureza começa a piorar. Diferente de muitos combates, a merda adiquire mais força com o tempo da luta, a dor se espalha pelo corpo, jó começa a suar ter tremores, e o telefone toca. -puta que pariu. ele atende, já não consegue falar coisa com coisa é dificil concentrar-se em falar diante de tão árduo combate.
José chega finalmente ao seu destino, o centro da cidade, mas ainda tem que andar muito até o local do seu trabalho, a sua derrota já está muito próxima, só uma coisa lhe resta, encon-trar um banheiro.
primeiramente procura em estabelecimentos comerciais de alimentos, de cara entra em uma rede de fast food¹ lugar é perfeito para o ato, é proibido de usar o banheiro, este é destinado apenas a consumidores e só estará aberto após as DEZ horas. Desesperadamente atravessa a rua e entra em um bar, e mais uma vez a frustração, o banheiro tem apenas um mictório
josé , um grande guerreiro, após tentar em mais uns cinco estabelecimentos diferentes não resiste ao chamado e decide fazer no canteiro mesmo. achou um meio escondido entre uma banca de jornal e um muro. e finalmente o alivio… o cantico final de um sofrimento e quando pareceria a volta a um comercial de margarina, vem a voz.
- O vagabundo, num pode fazer isso em local publico não, é crime. e joão com as calças na mão é arrastado pro xilindró.
josé num ficou preso não, foi só o tempo suficiente para se explicar na delegacia e perder o emprego por motivos de atraso.
nota 1 - estabelecimento de exploração de mão de obra juvenil e cuja alimentação tem qualidade questionável.
privada bide e lavatorio usados R$ 1800,00. mercado livre
até 2007, 50,56% das residências nacionais ainda não eram atendidas por redes públicas de esgotamento sanitário. - segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)


é o conto do cocô ! brilhante texto divagando sobre a necessidade extrema de defecar . Viva a privada pública ! ih oh ah um paradoxo isso , não ? !
Felipe Rey
22 22UTC Julho 22UTC 2009 em 21:12
tá de qualidade !
luciana vieira
23 23UTC Julho 23UTC 2009 em 00:00
pobre João/Joaquim/José. Essas dores que arrepiam, são terríveis. Um abraço :*
Brenda Pantoja
30 30UTC Julho 30UTC 2009 em 03:14
Adorei o texto. Fiquei com pena do José… rs
E vc sempre me faz pensar demais nos comentarios q deixa no meu blog.
obrigada por isso.
Mari B.
30 30UTC Julho 30UTC 2009 em 14:43
nossa, texto muito interessante, é pra pensar mesmo D:
jaade.
1 01UTC Outubro 01UTC 2009 em 00:49